mercredi 28 juillet 2010

A MAIOR MENTIRA DE TODOS OS TEMPOS...


"Vou estar SEMPRE ao teu lado"; "NUNCA deixarei de te amar"; "poderás SEMPRE contar comigo"; "NUNCA ninguém te amará como eu"; "NADA te mau te acontecerá enquanto eu estiver contigo"; todas estas palavras de reconforto, ditas para nos apaziguar quando eramos crianças, continuam a soar nas nossas cabeças, até depois de adultos. Habituámo-nos a refugiar-nos nelas, a agarrarmo-nos a elas em caso de necessidade, quando nos sentimos perdidos, a naufragar...
À medida que crescemos, apercebemo-nos perfeitamente que estas lindas palavras são mentira; de qualquer modo, nós queremos voar pelas próprias asas, cortar o cordão com quem nos disse tal coisa, até porque fatalmente, eles partirão antes de nós... MAs a nossa maneira de funcionar está tão "viciada" por este esquema, que quando adultos, procuramos a pessoa capaz de cumprir a "promessa" que nos foi feita pelos nossos genitores, transferindo para ela a responsabilidade de ESTAR SEMPRE PRESENTE PARA NÓS - assim foi inventado o AMOR...

Nós próprios cobriremos a pessoa eleita pelo nosso "coração" de afecto, atenção, das melhores intenções, prometendo também estar sempre presentes para ela, como que para "assinar" tácitamente um contrato de ajuda mútua (se acham que estou a exagerar, leiam o contrato de casamento civil, ficarão mais do que elucidados sobre a natureza desta "nobre" união!). Viveremos juntos, cresceremos juntos, fundaremos uma família, teremos filhos (a quem faremos a mesma vã promessa que outros cumprirão ou não...), e criá-los-emos juntos, cultivaremos o nosso jardim juntos, envelheceremos juntos, e morreremos, mais tempo menos tempo, juntos... A MENOS QUE! Uma pedra no caminho, uma rampa íngreme demais, uma curva inesperada, um peigo imprevisto, uma avaliação erronea... e estamos sozinhos de novo! Com a agravante de já ter começado a construir, destruido, e ter que recomeçar do zero...

Após um certo número de vezes nesta brincadeira (como se a saída do Paraíso que é a infância não tivesse sido suficiente), devíamos saber o que nos espera. Como dizem os Outkast: "nothing is for sure, nothing is for certain, nothing lasts forever, but until they close the curtain (...)". Enquanto a cortina não desce, cumprimos o nosso papel nesta imensa representação teatral, como se fosse a estreia a cada vez, com a mesma vontade e convicção! Certamente com mais experiência, com mais prudência, uma visão mais ampla dos problemas, mas o mesmo entusiasmo candido, a mesma entrega total, incondicional... Por mais que nos tentemos proteger, quande REALMENTE queremos acreditar que dessa vez é "pra valer", o nosso comportamento pouco ou nada modifica em relação à primeira vez. Porém, quanto mais avançamos na idade, na experiência, nas decepções, mais nos tornamos hesitantes, frágeis, amedrontados, temendo o próximo fracasso, ao ponto de nos tornarmos cínicos: damo-nos conta que, pouco importam as promessas que nos fizeram os nossos pais quando eramos pequenos, no fim de tudo, acabamos sempre sozinhos...

O Amor é uma maneira peculiar de querer substituir Deus. E fazer-nos acreditar que é possível, que alguém pode cumprir esse papel na nossa vida PARA SEMPRE, é definitivamente a maior e mais cruel mentira que se possa imaginar. E o pior de tudo é que ela é totalmente involuntária...


foto: Jean Ribeiro

mercredi 14 juillet 2010

Noites quentes (?) em Luanda

Amigos, olhem bem para a fotografia. Muitos reconheceram num ápice, sem precisar de pensar muito. Miami, Florida? Bermudas? Ibiza? Marrakech? Não, foram muito longe! Este pequeno paraíso encontra-se no coração da Ilha de Luanda, é o Chill Out, e é uma das discotecas "in" da capital angolana. Como ela há o indestronável Palos, o recente Lounge LXL, onde se começa a noite, o Dom Q, o Lookal... Luanda não tem falta de endereços nocturnos onde os esforços de satisfação da clientela são cada vez mais notáveis. Noites com temas diversos, ambientes musicais variados, uma promoção bastante moderna, decoração que não deixa nada a desejar a muitas discotecas Europeias (em Paris vais pôr aonde discoteca com vista pro mar, com palmeiras e coqueiros, com som puramente da banda e as ondas do atlântico em fundo sonoro?) Depois de muitos anos fora, voltei a Luanda com SEDE de provar a muy falada e badalada noite, e qual não foi a minha decepção... Não tenho nada a dizer sobre o que já referi, a originalidade dos locais, a variedade musical, a riqueza da oferta, a boa selecção à entrada (ya, dum coro, gosto de estar em todos os ambientes, mas os meus preferidos são mesmo aqueles em que, pra qualquer lado onde olhe, vejo bué de pessoas bonitas!).

O que eu deplorei foi a atitude geral dos "festantes"! Em Luanda, a impressão com que eu fiquei, é que se vai à noite pra se pôr a conversa em dia, pra pausar, pra ver e ser visto, pra exibir griffes e biceps... Isso acontece em qualquer parte do mundo, mas a mim fez me confusão ouvir passar MUITO BOA MÚSICA na discoteca e não ver o pessoal a ficar MALUCO! Todos bem pausados, de copo na mão, a bater o ritmo com a cabeça, arriscando de quando em vez uma tarrachinha com o broto consagrado ou com o "flavor of the month". Não sei se eu é que fiquei com alma de puto, mas acho que não, todas as gerações têm este comportamento...

Eu AMO música, ADORO dançar, e acima de tudo DIVERTIR-ME sem me preocupar com o que os outros dizem ou pensam. E em geral, é mais fácil isso acontecer quando TODO O MUNDO está nesse estado de espírito! Mas ali, "getting wild" ao ouvir um som que bate muito, saltitar demais quando passa aquele som de hip hop dos tempos que há séculos num ouvia em discoteca, ficar maluco e dar o toque mais parvo de kuduro que te passar pela cabeça, é arriscar-se a chamar a atenção! Em Luanda dança-se nas calmas, poucos são os grupos de pessoas que ousam sair do modelo dominante, e os que o fazem estão "sa encardir" (ouvi esse termo na noite, a propósito dum rapaz que estava a curtir a sua noite à brava... era quase o único!);

"Vieste na má época, há uns três anos é que esse mambo batia... hoje o pessoal já não sai tanto..." É MENTIRA! LHES ENCONTREI MESMO TODOS NA NOITE! Pessoas que num consegues apanhar durante o dia, vai à noite, estão lá! Casaram, têm filhos, trabalham no dia seguinte, mas isso antes num era factor e continua a não ser. Mas que a atitude não é a mesma, não é!.. Ter a vida organizada não impede que de vez em quando se espaireça, em boa companhia, e se esqueça os problemas da semana...

Eu pude aproveitar o meu relativo anonimato pra "m'encardir" um pouco também, porque eu gosto de sair, dançar, suar e voltar pra casa rebentado! Além do mais, tem que se eliminar os martinis, caipirinhas e vodkas ingeridos, senão volta-se pra casa grosso! Não, em Luanda volta mesmo grosso, mas pausado...
Epa, eu não sou um international jet setter, mas o facto de ter vivido fora e viajado um pouco permitiu me sair um coxe, comparar minimamente, e a conclusão a que eu chego é que a minha noite ideal, seria no Chill Out pelo cenário, com o DJ do Palos (tocou a sério, o rapaz, nessa quinta feira!!!), o pessoal de Luanda, com o estilo de Milão (ali trapam pra caraças!) e com a atitude de Paris: PARTY AND BULLSHIT! Por uma noite, ninguem conhece ninguem, nem marido nem mulher nem mãe nem tio nem patrão de ninguem... todos anónimos com a vontade comum de REBENTAR com a noite! Pausar por pausar, pauso em casa com umas birras, um som, uns grelhados e alguns amigos chegados, não preciso de pagar 30 ou 50 dollares pra ir ver roupas, rabos e copos...